4

September

Sobre a bondade

A bondade não está relacionada a ser bonzinho, mas sim a viver de acordo com valores morais , com a dedicação contínua em melhorar a direção dos nossos movimentos internos e externos. Também pensando no outro respeitosamente.

Fernanda Nunes Gonçalves

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4

September

Sobre teorias

As teorias são importantes para que, através delas, a gente possa ampliar nosso conhecimento e chegar com mais direção às soluções que buscamos. Mas é preciso dar um bom lugar à estas teorias. Assim não as seguiremos cegamente, mas sim de mãos dadas ao autoconhecimento que podemos acordar em nós. É preciso ouvir as nossas verdades para que qualquer conhecimento teórico possa fazer sentido e oferecer novos caminhos.
Fernanda Nunes Gonçalves

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13

August

Mesmo Sem Estar

É preciso prestar atenção às coisas que caem nas nossas mãos, independente do jeito que isso acontece. Sempre soube da existência do cantor Luan Santana, mas nunca reparei no seu trabalho. Ele estava aí mas, para mim, no fundo não estava.

Até que foi entregue ao meu olhar uma música cantada por ele e pela Sandy: Mesmo Sem Estar. Ele não me falou nada, mas tenho quase certeza que a música não foi dedicada aos pais. Fala de um outro tipo de amor, o amor romântico. Mas no momento em que ouvi a música, lembrei do meu pai. A partir daquele momento aquela musica passou a falar no meu coração. Não a letra toda, mas sobre a mensagem de ter alguém que amamos muito sempre com a gente, mesmo que essa pessoa já não esteja mais. Pelo menos fisicamente. 

E a música entrega:

… eu tô aí …

Mesmo sem estar …

E eu sei disso.  Ele está em mim, em cada passo dado até aqui, em que ele me trouxe.

Ele está nos meus filhos, na genética que me foi passada e que passei para eles.

Nas dificuldades. Desde aquelas situações em que não sei o que fazer e que imagino o que ele me diria até momentos difíceis que eu vivi e que pedi a proteção dele de onde ele estivesse.

Ele está na saudade até das brigas, ele era o meu preferido 🙂 .

Ás vezes encontro ele nos meus sonhos.

E ele também está na carência de um abraço dele…só dele.

E quando olho para todos os sinais de que ele está aqui, mesmo sem estar, me lembro de aprender a olhar melhor para àquilo que vivo. Olhar melhor para aquilo que está aqui, mas que tiro a atenção porque olho com olhos físicos.  

Percebo que, as vezes, o que precisamos é ampliar nosso sentir. Olhar com olhos da alma e do amor. Há aqueles pais que estão presentes, mas não estão aí e, por outro lado, há aqueles que não estão, mas estão. E a benção é completa e profunda quando o pai está aí… estando. 

Ás vezes é o desencontro que dói, e nem sempre a ausência. As vezes é o timing com que o amor se movimentou entre pai e filho, impedindo que seja sentido e aproveitado ao máximo.  

De qualquer forma, que a gente se abra para os sinais de que temos muito mais do que estamos percebendo. Que a falta que sentimos seja, na verdade, uma oportunidade de tocar naquilo que sentimos e que não tínhamos percebido até então.

 

 

 

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9

August

O adeus da despedida

Dar tchau é diferente de despedir-se. Dizer adeus também. Sair de casa ou romper relações, idem.

A verdadeira despedida começa por dentro. No coração. E só quando acontece no coração podemos dizer que algo realmente terminou. Esgotou-se. Rompeu-se. Desmanchou-se.

 A razão, aqui, perde força.

Precisar romper, se distanciar de alguém, separar-se fisicamente representam um distanciamento, mas não uma despedida. Orgulho ferido não evolui para boas despedidas. Leva, sim à um distanciamento, mas aquele que nos feriu continua vivo em nós, mesmo através da raiva. Aliás, a raiva, o desejo de vingança são ótimas colas capazes de manter grudados os mais assumidos inimigos.

Também há quem fique junto corpo-a-corpo mas no coração já despediu-se faz tempo.

Dentro de si o outro não mora mais.

Desconfio que, quem já esteja flertando com a partida mas ainda permanece junto é porque ainda há afeto, ou dor ou uma pendência. Um dos dois ainda está esperando por algo para permitir-se ir embora.

Por vezes o coração está fechado, mas a situação está em aberto.

Ou ao contrário.

Tem vezes que o ponto final de uma situação é uma provocação aos nossos opostos. Partimos querendo ficar e ficamos querendo ir. Mandamos embora no fundo desejando que o outro não vá. Deixamos que fique quando gostaríamos de oferecer a porta de saída. Desejamos boa viagem quando gostaríamos que a pessoa não fosse.

 Até que algo se movimenta em nós.

E podemos enfim aceitar os finais como eles se apresentam: necessários e, alguns, inevitáveis. Trazendo a dor e, ou a gratidão embutida.

Para isso algo precisa de aceitação da mudança que está acontecendo agora. E é nesta vírgula que ás vezes nos engasgamos. Na aceitação da mudança que está acontecendo com ou sem a nossa permissão ou aceitação. Ao que nem sempre é justo ou nem sempre estamos prontos. E é aqui que ficamos presos, na ilusão que se não quisermos o que temos, podemos manipular o destino. Amarga ilusão.

Talvez, perto de finais que se apresentam para nós comecemos a enxergar que queríamos ter vivido mais, conversado mais, desfrutado da vida mais um pouco com aquele alguém ou naquela situação.

Depois de ter tantas despedidas na minha vida, decidi me despedir destas. Com muita gratidão pelo que foi vivido e por aprender a levantar inúmeras vezes, apesar do cansaço.

E estou investindo amorosamente em meus recomeços.

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3

August

A Morada

Aquele senhor de cabelos brancos, com aparência amável e voz tranquila, no meio da conversa iniciada com uma moça em uma sala de espera, então perguntou:

– Onde moras?

Em um primeiro momento ela não viu nenhuma maldade e quase iria contar. Até que se lembrou da voz de sua mãe:

– Não dê informações à estranhos.

E embora não fosse mais criança, ela tinha escolhido levar para sempre as orientações maternas. E então se fechou, tal qual uma concha.

– Desculpe-me, mas não comento este tipo de coisa.

– Entendo. Disse o senhor meio desconfortável, mas respeitoso, já que seu objetivo era apenas conversar.

Parecia que o médico do qual estavam esperando suas consultas iria demorar um tanto. E a moça continuou:

– É que hoje em dia é muito perigoso dizer onde moramos. Essas coisas são muito pessoais.  Tão íntimas que, no fundo, meu endereço não é onde moro.

O senhor viu que tinha mexido em um vespeiro. Afinal, a mais inocente das perguntas, quando feita a uma mulher, pode ter proporções desconhecidas, pensou ele. A sua experiência vinda de três casamentos lhe contara sobre isso. Mas estava disposto a dar a ela um presente em forma de tempo e apenas passou a escutar-lhe, sorrindo com os olhos.

A moça então lhe disse:

– Meu endereço e minha morada estão em locais distintos. Meu endereço é para onde volto todos os dias. Minhas coisas estão lá. Minhas contas vão todas para lá. Fiz uma decoração simples. Desapegada. E sou muito grata por ter um canto meu. Mas meu coração… meu coração não mora lá. Ele…

Resolveu parar. Quis perguntar ao senhor se estava sendo muito chata. Mas a verdade, é que ela mesma precisava de fôlego para tocar na intensidade do que iria contar àquele senhor. Sem revelar seu endereço, claro!

– Podes continuar minha querida. Enquanto não for a minha hora posso lhe oferecer meu tempo, é o que mais tenho.

A moça sorriu. Suspirou. E continuou. Como se estivesse começando um trabalho de parto. Não dava mais para interromper.

– Mas moro mesmo em um lugar que não existe mais fisicamente.o consigo tocar mais com minhas mãos. Já voltei lá onde passei minha infância, mas a casa tinha sido demolida. As árvores cortadas e a Dona Jurema não tinha mais a padaria que vendia as mais deliciosas tortas. Àquelas que saboreei ao lado de minha mãe em um momento cuja atenção era toda minha. Olhos nos olhos. Corações entrelaçados e pulsando amor intenso.

– É lá que moro de verdade, que visito e me recomponho todos os dias. São naquelas lembranças vivas que busco força para plantar novas árvores e saborear novas tortas.

Aquela altura o senhor estava imerso na história ouvida e na sua própria. Ele também morava onde seu coração estava. E não era no seu endereço. Também sentiu saudades. E um nó na garganta.

Os dois sorriram, um para o outro, em uma cumplicidade onde as palavras não eram mais necessárias.

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26

July

E os pesadelos?

Sem entrar na lista dos porquês e de algumas teorias, percebi que não são somente os sonhos alheios que adotamos.

Os pesadelos também.

Arrisco dizer que nós entramos em pesadelos alheios com mais facilidade do que nos sonhos. Principalmente aqueles que pertencem à nossa teia familiar.

Quando percebemos, estamos vivendo no meio de um pesadelo de forma ativa. Contribuímos, dando energia para os roteiros que, mesmo ruins, nos prendem à sensação de uma história maior, que passa de geração para geração.

Entramos em um ringue, onde a luta já estava sendo aguardada. Aqui também entramos envolvidos pela razão, mas em nome de defender e proteger alguém que nem sempre pede nossa ajuda. Sentimos que precisamos tomar partido.

E a gente entra porque, lá, onde moram nossos escuros, julgamos aquela sombra como um chamado em nome de melhorar a família. Entramos em brigas, discussões e adotamos um conflito que não mandou convite.

Quando uma pessoa é excluída da família, porque não dançou conforme a música, todos tem que se posicionar à favor ou contra o alvo da vez.

Essa atitude só enfraquece o hoje, e também o amanhã. Enfraquece a alma. Convida doenças. Bloqueia prosperidade. Impede o bom fluxo da vida.

Ficamos cada vez mais presos, quando continuamos com um roteiro ruim que mais afasta as pessoas do que ajuda.

E esse roteiro também leva anos, ou fases, que poderíamos passar acordados e menos enrolados.

Vamos perpetuando mágoas, rompimentos, repetições e interrupções que, na verdade, estão a serviço do nosso ego e do nosso orgulho.

E ficar preso na teia do orgulho, esse sim, é um dos piores pesadelos.

Fernanda Nunes Gonçalves

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19

July

Sonhos

Sempre ouvi que devemos ir atrás dos nossos sonhos. E sempre destaquei a palavra sonhos. Não tinha me dado conta que a palavra nossos era tão importante quanto a outra.

Nossos sonhos.

Sem querer querendo, corremos atrás de sonhos sem perceber que nem sempre são os nossos.

Deu linha cruzada.

São de alguém que queremos ajudar, agradar ou compensar, por acharmos que seu destino é pesado demais. Talvez, por isso, muitos dos nossos sonhos não dêem certo. Talvez, lá no fundo, a gente nem sempre se dedique suficientemente à eles. Por vezes até  acreditamos, mas pensamos em concluir um sonho de cada vez. E o nosso acaba indo para o fim da fila.

Neste tipo de sonho, muito secretamente, quem comanda é a razão. Em nome do coração. Mas ainda assim, a razão. Achamos que, se amamos, temos que realizar os sonhos alheios.

E a gente passa anos, fases inteiras de nossas vidas, tentando alcançar o sonho que mora em outro peito. A ironia está no fato de que seguimos os sonhos de nossos pais e, quando eles são realizados, não tem a alegria esperada.

Nesse momento é tão importante lembramo- nos do respeito ao que mora dentro do outro. Talvez aquele desejo fosse o desejo de outra época, para ser saboreado com pessoas que talvez não estejam mais presentes. Ou com uma idade um tantinho menor do que a de agora. E é por isso que é tão delicado buscar obsessivamente realizar desejos de outras pessoas. Muitas vezes eles só querem ser sonhados por dentro.

A gente adota sonhos alheios e, se bobear, deixamos os nossos para adoção. Assim a gente vai criando uma bola de neve que passa de geração para geração. Fazemos isso e, de novo, sem querer querendo, vamos passando a mensagem para nossos filhos. Estes acolhem o exemplo, adotam nossos sonhos, deixando os seus para trás. Por amor buscamos realizar os desejos que nasceram no passado e ainda vivem no agora, daqueles que são importantes para nós.

E fazemos uma confusão por causa disso.

Ás vezes dá certo. Mas, quando dá errado, olhamos para trás e lá se foi um tantão de vida.

E cabe tanta coisa nela!

A gente pode fazer um pouquinho diferente. Bem pouquinho, para não assustar nossa zona de conforto. A gente pode parir também os sonhos que povoam nosso peito, e se atrever a realizá-los. Pelo menos chamá-los de meus, de nossos. Porque podemos ser felizes e dedicar esta felicidade à quem tanto nos ajudou.

Pelo menos regar os sonhos que também merecem e precisam de nosso cuidado.

Talvez, assim, nossos filhos tenham um exemplo mais coerente de tudo aquilo que aconselhamos a eles.

Fernanda Nunes Gonçalves

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1

June

A Voz do Maxilar

 

Ela, uma conhecida, não era o tipo de pessoa que, quando era hostilizada, respondia na mesma hora. Ela prendia as palavras. Prendia o que sentia. O que pensava. Tinha aprendido a engolir dores.

Na maioria das vezes, as palavras ficavam fortemente presas entre seus dentes e gerando tensão no seu maxilar. Na mordida que segurava um possível  “já chega” ou, talvez, palavras mais duras ainda do que aquelas que tinha ouvido. Ou ainda, carregando segredos da alma revelados pelo corpo.

Pois, no corpo moram alguns segredos que muitas vezes temos receio de decifrar à nós mesmos. E é quando a gente aceita se conectar às nossas verdades que estão em movimento, mas ainda são nossas, que pode se iniciar ou enriquecer o processo de cura.

E assim como muitos remédios tratam nossas dores, outros tantos silenciam estas mesmas dores e nos distraem do essencial, de uma possível cura que muitas vezes está disponível, mas percorremos um caminho que nos distancia desta possibilidade. Calar uma dor segue um caminho diferente do querer curar a alma e o machucado que se revela.

Pois as certezas não moram neste mundo. Nem sempre um sintoma tem dono. O ranger de dentes pode ter uma cor para mim e outra para você.  Há segredos que se vestem de gastrite e dores da alma que vivem na enxaqueca. Por isso o caminho de reconexão com a alma e com o instinto de vida são a essência de um corpo que quer o futuro.

Que a gente possa atrever-se e arriscar-se á uma escuta e uma postura amorosa e respeitosa diante de tudo que nos habita emocionalmente e que nos transforme as dores mais profundas que se materializam através de nossas doenças e nossos sintomas.

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19

May

A ponte entre a maternidade e o day trading

Volta e meia alguém me pergunta se sou day trader. É lógico que a pessoa está referindo-se ao mercado financeiro. Mas confesso que preciso lembrar disso antes de responder. Pois, apesar de fazer  operações como day trader no mercado financeiro, sinto-me tão ou mais day trader fora do mercado, como, por exemplo, na maternidade.  

Este texto acolhe também a paternidade, mas farei uma referência às minhas percepções como mãe!

É impressionante como duas vivências tão distintas podem ter tantas coisas em comum e nos ensinar tanto! O que aprendemos na maternidade/paternidade levamos para o mercado e vice-versa. Aliás, não só na maternidade, mas na nossa vida como um todo.

A maternidade não é um negócio mas, ás vezes (quase todas), o mercado se comporta como uma criança. Pronto. A partir desta ligação, compreender o mercado fica muito mais simples. E antes de mais nada,  ser mãe não é pré-requisito para alcançar esta compreensão mais afiada. Mas, vai por mim, facilita muito. Caso você não tenha filhos, não tem problema. Faça estas reflexões com sobrinhos, afilhados, netos… O que conta é a experiência em tempo real que cuidar de alguém que amamos e passamos tempo suficiente para entrar em conflito requer. E que esta percepção possa engrandecer sua leitura do mercado. Não vale conta demo. Tem que ter calor, tempo de convivência. Tempo suficiente para que você lembre de estopar sua falta de paciência, sua pressa, seu cansaço…

Porque, antes de entrarmos neste tipo de operação, temos que ter um setup. Um setup que nos leve a operar bem o gráfico e o tempo que passamos juntos com nossos filhos e afins.

É aqui que começamos a ser day traders de fato.

Na aceitação de que vamos tentar com ferramentas, conhecimentos e estudos, identificar o movimento no gráfico que nos faça lucrar, embora, muitas vezes, tenhamos prejuízo.

Daí a compreensão que, tanto na maternidade quanto no day trading, o lucro vem quando aprendemos a surfar o movimento da vida. Não há como controlar completamente aquilo que não depende de nós. Ás vezes, cuidamos muito do nosso trade e acabamos perdendo. Às vezes cuidamos muito dos nossos filhos, e eles caem e se machucam bem na nossa frente. O que conta é que precisamos aprender a aproveitar muito bem nossos ganhos, pois a única certeza é que as perdas ocorrerão.

Na compreensão de que um minuto é tempo suficiente para grandes perdas e eternização de afetos. E que os minutos operados com amor e atenção ficam eternizados na nossa alma, na nossa história e daqueles a quem amamos.

Na percepção de que, mesmo sendo ótimos traders e pais suficientemente bons, ainda assim somos humanos e, por isso, vulneráveis. Uma das piores coisas que um trader pode fazer a si mesmo é negar sua humildade e sua vulnerabilidade. Uma das piores coisas que uma mãe pode fazer é iniciar um day trade e transformá-lo em swing trade. O filho pediu para brincar hoje, mas ela rola a “operação” para amanhã. Amanhã eu brinco, amanhã eu conto a historinha, amanhã cozinhamos juntas…

Enfim, por vezes é preciso olhar o mercado como uma criança. Uma mãe já sabe quando o ativo está fazendo birra e quando é preciso limite. Quando a gente apenas espera passar e quando a gente estopa e vai pra casa.

E uma das lições mais lindas de todas: depois de um dia com surtos, sorrisos, estopes, curtição e virada de mão no humor, a gente zera tudo, fica com o que alimenta a alma e, no outro dia, começa tudo de novo em uma parceria infinita com o tempo!

Fernanda

 

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3

May

Recomeços no mercado financeiro

O caminho do trader tem várias possibilidades: há quem comece a operar e não pare mais. Há quem comece, pare e nunca mais volte e há aqueles que começam e, por inúmeros motivos param e, depois de um tempo decidem voltar a operar o mercado.

As palavras escritas aqui, neste texto, são um olhar um pouco mais demorado para aqueles que já desistiram uma ou inúmeras vezes, mas sempre acabam voltando. E cada volta encontra um trader, na maioria das vezes, mais maduro. Porque quando estamos vivos é mais ou menos isso que acontece, vamos abençoando pontos finais e liberando vírgulas. E cada recomeço é sinal que uma vírgula foi liberada, não no assunto que terminou, mas na vida. Ainda estamos em movimento, ainda estamos experimentando atrevimentos e flertando com o desconhecido. E assim muitos traders voltam para o mercado financeiro.

O grande desafio nesta etapa é poder identificar o que foi estopado dentro de si quando este mesmo trader saiu do mercado. Qual trade interno foi encerrado? Foi sofrido? Foi traumático, com perdas financeiras e afetivas, bem consideráveis? Ou foi um até breve, vou ver o que mais tem por aí…

A volta ao mercado depende um tanto desta percepção, pois se o trader traz consigo cicatrizes ainda vivas ele irá levar para o gráfico esta memória, este desconforto e, poderá virar um ponto cego no caminho à bons resultados. Saber ler sinais internos é tão importante quanto ler os sinais do gráfico e do mercado. No meu ponto de vista, são até mais importantes. Compreender se ainda existem intenções, objetivos que estão em aberto, à espera de um bom fechamento interno.

Não só no mercado, como também na vida,  é no mínimo interessante a gente poder perceber o que estamos de fato encerrando quando paramos uma atividade, quando saímos de um relacionamento e até mesmo de uma operação. E assim prestarmos mais atenção aos movimentos do ciclos em nossas vidas e também no mercado, percebendo e entregando-nos com alma leve e aprendizados em franca tendência de alta a cada recomeço como se estivéssemos começando do zero e fosse  tudo novo.

Pois de fato, é! O agora nunca existiu antes!

Fernanda Nunes Gonçalves

 

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