O que fica visível naquilo que escondemos

Embora o meu filho ainda seja pequeno, até pouco tempo atrás, quando eu brincava com ele de esconde-esconde, ele sempre deixava seu pezinho amostra. Era só olhar, que ele acabava denunciando pela sua inocência, seu esconderijo. Para ele, estava realmente escondido, quando, na verdade, estava mostrando-se mais do que imaginava.

Mas, mesmo assim, a diversão era garantida.

Pois a vida é mesmo uma dança entre aquilo que escondemos de nós mesmos e dos outros e aquilo que nos permitimos trazer a luz, deixando à mostra que queremos, de certa forma, sermos encontrados.

Encontrados por alguém que esteja nos procurando afetivamente e, muitas vezes, por nós mesmos. Pois, por mais que tenhamos certeza que estamos bem escondidos, bem camuflados ou protegidos em nossos sentimentos, sempre deixamos alguma parte a mostra para que sejamos resgatados, muitas vezes em nossos próprios jogos.

E isso é uma bênção.

Deixar que, por um detalhe, aquilo que mora por trás de uma cortina seja ao mesmo tempo dor e cura.

Ser trader é saber brincar de esconde-esconde. E de esconde-encontra. Muitas vezes a gente esconde aquilo que não queremos ver de nós mesmos nas operações. Esperamos que a gente consiga, talvez inocentemente, passar despercebidos sentimentos que não estão de brincadeira.

Mas é justamente nesta probabilidade de sermos encontrados que aparece a alegria. Naquele risco que corremos de revelar muito de nós mesmos em um trade que achamos que poderíamos enganar a nós mesmos.

Então, desejo que a gente não deixe de brincar de esconde-esconde, no mercado e na vida, mas que aquilo que escondemos fique visível amorosamente à nós mesmos.

Fernanda Nunes Gonçalves

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