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January

Você aceita trocar…

Na verdade eu não sei se o programa que vou fazer referência neste texto por acaso não está sendo reprisado por aí, pois não assisto mais tv aberta. Mas há muito tempo atrás Silvio Santos comandava, em um de seus programas, uma atividade em que uma pessoa entrava em uma cabine, colocava fones de ouvido para que não ouvisse o que estava sendo perguntado a ela e quando acendesse uma luz ela deveria dizer sim ou não.

Apenas isso: sim ou não.

Tratava-se de contar com a sorte. Enquanto Silvio Santos do lado de fora perguntava à pessoa: você aceita trocar um televisão 42 polegadas por uma meia furada? a criatura dentro da cabine aguardava acender a luz e tinha que responder alguma coisa. Podia gritar sim ou não.

Mas tinha que se posicionar.

E a brincadeira continuava, os objetos iam sendo alternados de acordo com a resposta do participante até o final quando este sairia, feliz ou não, com as conseqüências de suas respostas. A questão é, que quando a luz acendia, a sorte estava lançada e no final da brincadeira a pessoa podia sair da cabine com um baita presente ou com a certeza que nem sempre a sorte lhe sorriria.

Nesta virada de ano lembrei de Silvio Santos. E pensei em todos os nossos sins e nãos. Àqueles que dizemos contando com a sorte e àqueles que dizemos mais coerentes com nossos desejos. 

Pensei em todas ás vezes que disse sim querendo dizer não e também nas vezes que disse não querendo dizer sim. Além das vezes que disse qualquer coisa apenas porque a luz da urgência da realidade tinha acendido e eu precisava me posicionar. E sinto que quando o ano novo se apresenta temos uma oportunidade de prestar mais atenção aos nossos desejos, aqueles reais, nítidos, encorpados, para que a gente possa dizer um sim que é realmente um sim, aquele que vem da alma, muito mais do que da mente. E dizer não quando é não, com a autorização do nosso amor próprio. Além de tudo, este exercício é extremamente útil na hora de educarmos nossos filhos.

Então, desejo que neste ano, e também nos outros, mas (re)comecemos por este, a gente preste mais atenção às respostas que damos a cada movimento que a vida nos convida a participar.

Que a gente saia do piloto automático e se aproprie dos sins e não que damos à nós mesmos através de cada dificuldade e cada superação.

Que quando for um sim ele seja coerente com o que há de melhor em nós, que seja para nós  e quando for um não que seja apenas um sim para outras escolhas e não uma maneira de ferir o outro ou à nós mesmos.

Que a gente preste atenção nas trocas afetivas, financeiras e de tempo que estamos fazendo no nosso dia-a-dia, com a possível desculpa que estamos com fones de ouvido e não estamos ouvindo, que não estamos com tempo o suficiente para prestar atenção àquilo que nos convida a nos posicionar. No mercado financeiro também.

Que a gente não diga sim para 2017 sabendo lá no fundo que é um não, que é um sim apenas da mente.

Que a gente diga sim para 2017 com alma, intenção, com sabor, com humildade, com ação, energia, com totalidade, com atrevimento, com presença assim como merecemos dizer para nós mesmos, para o mercado e para a vida.  Pois quando “a brincadeira” acabar sairemos com as conseqüências de nossas respostas.

Fernanda Nunes Gonçalves

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This entry was posted on Sunday, January 1st, 2017 at 10:23 pm and is filed under Vínculos. Follow the comments through the RSS 2.0 feed. You can post a comment, or leave a trackback.

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