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May

A ponte entre a maternidade e o day trading

Volta e meia alguém me pergunta se sou day trader. É lógico que a pessoa está referindo-se ao mercado financeiro. Mas confesso que preciso lembrar disso antes de responder. Pois, apesar de fazer  operações como day trader no mercado financeiro, sinto-me tão ou mais day trader fora do mercado, como, por exemplo, na maternidade.  

Este texto acolhe também a paternidade, mas farei uma referência às minhas percepções como mãe!

É impressionante como duas vivências tão distintas podem ter tantas coisas em comum e nos ensinar tanto! O que aprendemos na maternidade/paternidade levamos para o mercado e vice-versa. Aliás, não só na maternidade, mas na nossa vida como um todo.

A maternidade não é um negócio mas, ás vezes (quase todas), o mercado se comporta como uma criança. Pronto. A partir desta ligação, compreender o mercado fica muito mais simples. E antes de mais nada,  ser mãe não é pré-requisito para alcançar esta compreensão mais afiada. Mas, vai por mim, facilita muito. Caso você não tenha filhos, não tem problema. Faça estas reflexões com sobrinhos, afilhados, netos… O que conta é a experiência em tempo real que cuidar de alguém que amamos e passamos tempo suficiente para entrar em conflito requer. E que esta percepção possa engrandecer sua leitura do mercado. Não vale conta demo. Tem que ter calor, tempo de convivência. Tempo suficiente para que você lembre de estopar sua falta de paciência, sua pressa, seu cansaço…

Porque, antes de entrarmos neste tipo de operação, temos que ter um setup. Um setup que nos leve a operar bem o gráfico e o tempo que passamos juntos com nossos filhos e afins.

É aqui que começamos a ser day traders de fato.

Na aceitação de que vamos tentar com ferramentas, conhecimentos e estudos, identificar o movimento no gráfico que nos faça lucrar, embora, muitas vezes, tenhamos prejuízo.

Daí a compreensão que, tanto na maternidade quanto no day trading, o lucro vem quando aprendemos a surfar o movimento da vida. Não há como controlar completamente aquilo que não depende de nós. Ás vezes, cuidamos muito do nosso trade e acabamos perdendo. Às vezes cuidamos muito dos nossos filhos, e eles caem e se machucam bem na nossa frente. O que conta é que precisamos aprender a aproveitar muito bem nossos ganhos, pois a única certeza é que as perdas ocorrerão.

Na compreensão de que um minuto é tempo suficiente para grandes perdas e eternização de afetos. E que os minutos operados com amor e atenção ficam eternizados na nossa alma, na nossa história e daqueles a quem amamos.

Na percepção de que, mesmo sendo ótimos traders e pais suficientemente bons, ainda assim somos humanos e, por isso, vulneráveis. Uma das piores coisas que um trader pode fazer a si mesmo é negar sua humildade e sua vulnerabilidade. Uma das piores coisas que uma mãe pode fazer é iniciar um day trade e transformá-lo em swing trade. O filho pediu para brincar hoje, mas ela rola a “operação” para amanhã. Amanhã eu brinco, amanhã eu conto a historinha, amanhã cozinhamos juntas…

Enfim, por vezes é preciso olhar o mercado como uma criança. Uma mãe já sabe quando o ativo está fazendo birra e quando é preciso limite. Quando a gente apenas espera passar e quando a gente estopa e vai pra casa.

E uma das lições mais lindas de todas: depois de um dia com surtos, sorrisos, estopes, curtição e virada de mão no humor, a gente zera tudo, fica com o que alimenta a alma e, no outro dia, começa tudo de novo em uma parceria infinita com o tempo!

Fernanda

 

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This entry was posted on Friday, May 19th, 2017 at 10:06 pm and is filed under Uncategorized. Follow the comments through the RSS 2.0 feed. You can post a comment, or leave a trackback.

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