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August

O adeus da despedida

Dar tchau é diferente de despedir-se. Dizer adeus também. Sair de casa ou romper relações, idem.

A verdadeira despedida começa por dentro. No coração. E só quando acontece no coração podemos dizer que algo realmente terminou. Esgotou-se. Rompeu-se. Desmanchou-se.

 A razão, aqui, perde força.

Precisar romper, se distanciar de alguém, separar-se fisicamente representam um distanciamento, mas não uma despedida. Orgulho ferido não evolui para boas despedidas. Leva, sim à um distanciamento, mas aquele que nos feriu continua vivo em nós, mesmo através da raiva. Aliás, a raiva, o desejo de vingança são ótimas colas capazes de manter grudados os mais assumidos inimigos.

Também há quem fique junto corpo-a-corpo mas no coração já despediu-se faz tempo.

Dentro de si o outro não mora mais.

Desconfio que, quem já esteja flertando com a partida mas ainda permanece junto é porque ainda há afeto, ou dor ou uma pendência. Um dos dois ainda está esperando por algo para permitir-se ir embora.

Por vezes o coração está fechado, mas a situação está em aberto.

Ou ao contrário.

Tem vezes que o ponto final de uma situação é uma provocação aos nossos opostos. Partimos querendo ficar e ficamos querendo ir. Mandamos embora no fundo desejando que o outro não vá. Deixamos que fique quando gostaríamos de oferecer a porta de saída. Desejamos boa viagem quando gostaríamos que a pessoa não fosse.

 Até que algo se movimenta em nós.

E podemos enfim aceitar os finais como eles se apresentam: necessários e, alguns, inevitáveis. Trazendo a dor e, ou a gratidão embutida.

Para isso algo precisa de aceitação da mudança que está acontecendo agora. E é nesta vírgula que ás vezes nos engasgamos. Na aceitação da mudança que está acontecendo com ou sem a nossa permissão ou aceitação. Ao que nem sempre é justo ou nem sempre estamos prontos. E é aqui que ficamos presos, na ilusão que se não quisermos o que temos, podemos manipular o destino. Amarga ilusão.

Talvez, perto de finais que se apresentam para nós comecemos a enxergar que queríamos ter vivido mais, conversado mais, desfrutado da vida mais um pouco com aquele alguém ou naquela situação.

Depois de ter tantas despedidas na minha vida, decidi me despedir destas. Com muita gratidão pelo que foi vivido e por aprender a levantar inúmeras vezes, apesar do cansaço.

E estou investindo amorosamente em meus recomeços.

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This entry was posted on Wednesday, August 9th, 2017 at 10:49 pm and is filed under Vínculos. Follow the comments through the RSS 2.0 feed. You can post a comment, or leave a trackback.

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