20

fevereiro

Operando rompimentos dentro e fora do gráfico – parte I

Operar rompimentos é uma arte. Há quem olhe apenas para os números e, talvez assim, fique difícil de entender minha opinião. Um mais um são dois e ponto final. Para mim, um mais um ás vezes são três.  Ou quatro. E assim nasce uma família.

Mas como sempre falo, tudo depende de como olhamos para o mercado e para nós mesmos.

Porém, pensando somente nos números, muitas vezes buscamos uma exatidão que dê colo para a nossa necessidade de controlar nossos resultados no mercado. Aguardamos o centavo perfeito que dê asas para nossa operação. Porém, mesmo com lindas asas, sinais confirmados diante de nossos olhos e um conhecimento já crescidinho, mesmo assim o trade não voa.  Rompimento falso?

Tenho para mim que não. Rompimento legítimo.

Rompeu sem a menor sombra de dúvida. Mas não foi necessariamente a zona de preço. O que muitas vezes não percebemos é que uma  simples operação pode romper muito dentro de nós. Rompe com nossa paciência, com nossa seqüência de trades com lucros, ou prejuízos, com nossa autoconfiança, com nossa insegurança, com nossas ilusões de que  ter somente conhecimentos operacionais nos levarão aos resultados sonhados. Ou em franco delírio.

É uma bela estratégia aprendermos mais sobre os nossos rompimentos internos. Com olhar atento àqueles que não geram lucros. Àquilo que poderia ter fluido, mas não teve força suficiente. Àqueles números, preços, afetos, mágoas, alegrias, dores, perdão, habilidades, stops afetivos que correm o risco de ficar tempo demais aguardando uma certa força que vem da alma para que possam  ir em frente. No mercado,  um bom rompimento tem a intenção de continuidade, seguir caminho. É uma oportunidade. Os lucros que valem a pena moram nos movimentos que escolhemos fazer ou acompanhar.

Que na vida a gente aproveite este ensinamento.

Pois é preciso identificar aquilo que precisa de um empurrão para acontecer. Dentro e fora do mercado.

Fernanda Nunes Gonçalves

 

 

 

 

 

Share Button

12

fevereiro

Bagunça útil

Durante muito tempo fiquei acotovelando minha bagunça com minhas coisas. Acotovelei, tentei controlar, empilhei, larguei de vez, desprezei… Como se fosse uma adolescente em fase de ataque.

Claro, a adolescente estava em mim. Uma bonita queda de braço. Até que cansada, resolvi apenas olhá-la.

Sem expectativa.

O que falta que ainda não fiz?

Olhei bem para ela. Olhei bem para mim. Respirei fundo. Não se pode ter uma boa conexão com respiração curta. A energia não circula e tudo trava.

Percebi que faltava desistir. Não de me organizar, mas desistir de tentar excluí-la, como se, ao fazer isso  eu pertencesse a outro grupo: a dos organizados. Pois tenho em mim um pouco de tudo: de bagunça, de ordem, de coragem e de medo. O grupo do qual realmente pertenço é dos humanos em constante evolução.

Mas, de fato, não era isso que estava incomodando. A desorganização tem uma função muito particular para cada um.

Para mim era uma mensagem: eu tinha que me procurar!

Eu não estava fácil e nem disponível para mim mesma. Protegia minhas dores, minhas lembranças e também minhas alegrias. Não tocava nelas com facilidade. Precisava me dar um tempo para achá-las e, com calma, ir tocando na história e nos sentimentos acionados com o que merecia ficar e o que precisava ir.

Uma desorganização nunca permanece à toa. Ela nos fala. Ouviremos quando for suportável.

Também é uma questão de hábitos. A gente se acostuma a não se conectar com o agora. Então empilhamos para ver depois, resolver depois e colocar fora depois. Arrogantemente pensamos que somos eternos e que teremos todo o tempo do mundo para reviver o que guardamos.

A organização vem de dentro. Claro que tem bagunça que faz parte da decoração. Mas a bagunça que é amistosa, que revela uma vida com movimento e não uma vida evitada é mais que isso.

Então abri, pela primeira vez, um espaço para ela. Afinal, ela merecia. Acompanhava-me há tanto tempo.

E exatamente assim, do jeito que foi, no fundo, me foi útil. Caso contrário, eu já teria resolvido.

Deixei que ela fosse do jeito dela, sem intenções, sem críticas e sem tentar excluí-la.

Escutei seus segredos. Os meus segredos escondidos embaixo das coisas fora de lugar. E, no silêncio, senti coisas que me organizaram por dentro.

Não adianta brigar com coisas das quais precisamos. Elas tem um tempo para existir.

Há lembranças que ficarão para sempre em nossa alma. 

Quando não for assim, não será suficiente guardá-las em uma caixa.

Fernanda Nunes Gonçalves

 

 

Share Button

8

janeiro

O quebra-cabeças

Quando eu era criança, uma das brincadeiras que eu curtia era montar quebra cabeças. Porém sempre que eu espalhava as peças em cima da mesa, ou mesmo no chão para começar a montar eu achava que tinha peça faltando. Eu olhava para as peças e tinha a impressão que talvez nem todas as peças que eu precisaria para a figura ficar completa estariam ali.

Mas eu começava assim mesmo.

Ainda bem!

Ainda bem que eu me permitia começar a brincadeira, experimentar e ver se eu estava certa ou errada em relação se o brinquedo estava completo ou não. E sinceramente, não me lembro de alguma vez o jogo estar incompleto de verdade como eu sempre suspeitava.

Pois hoje em dia, dependendo do desafio que eu preciso enfrentar na vida, seja profissional, financeiro ou até mesmo de saúde, eu lembro  deste jogo. E esta lembrança me ajuda a enxergar melhor as peças internas que estão disponíveis e bem ao meu alcance. Porque muitas vezes quando temos um problema, um desafio no nosso caminho podemos ter a sensação que faltam “peças” dentro de nós para resolver, completar o desafio e seguir em frente. Peças que ora são forças, qualidades, jogo de cintura, maturidade, fé, energia, amor próprio, fôlego, humildade, coragem, amor.

É importante estarmos atentos se colocamos uma peça de dúvida em um jogo que está a nossa espera: Será que vou conseguir resolver? Será que vou conseguir completar o quebra cabeça? Será que eu tenho em mim tudo o que é necessário para solucionar esta questão ou até mesmo para alcançar meus objetivos?

Sempre lembro que, também diante dos problemas, a sensação de que está faltando algo, dentro  de nós que nos ajude a resolvê-lo é só uma sensação, na maioria das vezes. Todas as peças de que precisamos estão ali bem na nossa frente. Bem dentro de nós à espera da nossa ousadia, ora da nossa fé, ora da nossa humildade e do nosso atrevimento para que a gente se surpreenda com tudo o que está disponível para nós, contanto que a gente comece o jogo.

Fernanda Nunes Gonçalves

Share Button

1

janeiro

Você aceita trocar…

Na verdade eu não sei se o programa que vou fazer referência neste texto por acaso não está sendo reprisado por aí, pois não assisto mais tv aberta. Mas há muito tempo atrás Silvio Santos comandava, em um de seus programas, uma atividade em que uma pessoa entrava em uma cabine, colocava fones de ouvido para que não ouvisse o que estava sendo perguntado a ela e quando acendesse uma luz ela deveria dizer sim ou não.

Apenas isso: sim ou não.

Tratava-se de contar com a sorte. Enquanto Silvio Santos do lado de fora perguntava à pessoa: você aceita trocar um televisão 42 polegadas por uma meia furada? a criatura dentro da cabine aguardava acender a luz e tinha que responder alguma coisa. Podia gritar sim ou não.

Mas tinha que se posicionar.

E a brincadeira continuava, os objetos iam sendo alternados de acordo com a resposta do participante até o final quando este sairia, feliz ou não, com as conseqüências de suas respostas. A questão é, que quando a luz acendia, a sorte estava lançada e no final da brincadeira a pessoa podia sair da cabine com um baita presente ou com a certeza que nem sempre a sorte lhe sorriria.

Nesta virada de ano lembrei de Silvio Santos. E pensei em todos os nossos sins e nãos. Àqueles que dizemos contando com a sorte e àqueles que dizemos mais coerentes com nossos desejos. 

Pensei em todas ás vezes que disse sim querendo dizer não e também nas vezes que disse não querendo dizer sim. Além das vezes que disse qualquer coisa apenas porque a luz da urgência da realidade tinha acendido e eu precisava me posicionar. E sinto que quando o ano novo se apresenta temos uma oportunidade de prestar mais atenção aos nossos desejos, aqueles reais, nítidos, encorpados, para que a gente possa dizer um sim que é realmente um sim, aquele que vem da alma, muito mais do que da mente. E dizer não quando é não, com a autorização do nosso amor próprio. Além de tudo, este exercício é extremamente útil na hora de educarmos nossos filhos.

Então, desejo que neste ano, e também nos outros, mas (re)comecemos por este, a gente preste mais atenção às respostas que damos a cada movimento que a vida nos convida a participar.

Que a gente saia do piloto automático e se aproprie dos sins e não que damos à nós mesmos através de cada dificuldade e cada superação.

Que quando for um sim ele seja coerente com o que há de melhor em nós, que seja para nós  e quando for um não que seja apenas um sim para outras escolhas e não uma maneira de ferir o outro ou à nós mesmos.

Que a gente preste atenção nas trocas afetivas, financeiras e de tempo que estamos fazendo no nosso dia-a-dia, com a possível desculpa que estamos com fones de ouvido e não estamos ouvindo, que não estamos com tempo o suficiente para prestar atenção àquilo que nos convida a nos posicionar. No mercado financeiro também.

Que a gente não diga sim para 2017 sabendo lá no fundo que é um não, que é um sim apenas da mente.

Que a gente diga sim para 2017 com alma, intenção, com sabor, com humildade, com ação, energia, com totalidade, com atrevimento, com presença assim como merecemos dizer para nós mesmos, para o mercado e para a vida.  Pois quando “a brincadeira” acabar sairemos com as conseqüências de nossas respostas.

Fernanda Nunes Gonçalves

Share Button

25

dezembro

Sobre o filme O Expresso Polar e aquilo que precisamos ver para crer

Nesta época do ano o Natal toma conta dos nossos pensamentos ou boa parte deles. Pensamos na ceia, nos presentes, na reunião de muitos e na falta de outros. Ou em como fugir de tudo isso e deixar florescer o espírito natalino no mais profundo do nosso ser.

Neste clima, alguns filmes também chamam nossa atenção. Sou fã do ator Tom Hanks. Então, um dos filmes que ele fez com tema natalino, O Expresso Polar, não passou por mim despercebido. Mesmo sendo um filme de 2004, ainda é uma ótima pedida para assistir também com as crianças.

O filme oferece uma ótima reflexão sobre as coisas que deixamos de acreditar, através de um garoto que não acredita mais em Papai Noel. Muitas vezes até gostaríamos de manter a nossa capacidade de acreditar naquilo que nossos olhos não conseguem ver, mas damos um xeque mate na vida e não aliviamos. Primeiro queremos ver o milagre e depois pensaremos se este merece nosso crédito ou não. É neste julgamento que vamos perdendo um dos maiores milagres da vida: aquilo que acontece independente do nosso ego aprovar ou não, pois não existem para serem filtrados pela razão e sim pelo coração. Acontecem em um campo de amor, fé e conexão.

Assim como o menino do filme não acreditava em Papai Noel e, por isso, não ouvia o som dos guizos, assim acontece com a gente.

É preciso humildade diante também dos mistérios da vida.

É preciso conexão.

É preciso que, primeiro, a gente ofereça um espaço fértil para que os milagres floresçam.

Somos aprendizes, estamos aqui para aprender e evoluir, não estamos em posição de colocar regras em um mundo onde estamos, de um jeito ou de outro, destruindo.

Precisamos dar uma chance a nós mesmos. Permitir que o nosso estado de espírito sintonize-se com sentimentos mais elevados, independentemente das situações difíceis e desafiadoras que possamos viver.

Precisamos nos colocar em ordem. Primeiro plantamos e, depois, colhemos. Primeiro nos conectamos, depois presenciamos o milagre.

Que a gente solte a rigidez e dê espaço para a flexibilidade. Assim como menino do filme fez. Apesar de não acreditar e não ouvir o guizo, ele começou a viagem para o Polo Norte. Meio desconfiado, mas foi.

Que a gente se permita começar aquela viagem que vai nos levar de volta ao melhor que podemos ser. Em nós mesmos e também no mercado financeiro. O melhor setup é aquele que a gente opera estopando o que nos mantém desacreditados.

Que a nossa fé não seja infantil. Que não nos faça rezar e apenas esperar. Mas que a gente entre no trem da vida, cheios de fé, dispostos a abrir o coração e permitir que ele nos mostre se milagres existem ou não.

Fernanda Nunes Gonçalves

Share Button

18

dezembro

ONDE INVESTIR EM 2017?

Quando chega o final do ano a Revista Exame trás, em uma de suas edições, uma reportagem sobre onde investir no ano seguinte. Pelo menos vem sendo assim há alguns anos. Nesta reportagem ela oferece inúmeras informações importantes sobre os tipos de investimentos para que a gente pense a respeito e se organize com nossos objetivos e sonhos.

Se alguém me perguntar por que eu adoro a revista exame, a resposta em um primeiro momento é óbvia: eu gosto muito do conteúdo e do jeito que ele é colocado.

Simples assim.

A questão é que nem tudo que parece tão óbvio é dono exclusivo de nossas emoções. Se eu olhar com mais atenção para mim, e para esta revista, vou perceber que, além de gostar de seu conteúdo, eu gosto do que ela me faz sentir. Quando meu pai era vivo, nós conversávamos longamente sobre algumas reportagens. Era algo em comum, gostávamos de estar juntos, da revista e de conversar em torno dos conteúdos oferecidos. A sensação boa continua e, assim, sigo lendo a revista com um olhar que também inclui saudade e boas lembranças.

É sobre este tipo de investimento, que reside nas emoções, na alma, na nossa essência, e que é tão necessário, que me refiro neste texto. Com olhar mais demorado sobre aquilo que mora em nós e onde parece existir somente o óbvio. Se tem uma coisa que eu aprendi depois dos meus desafios do ano passado, foi não adiar meus sonhos.  E quando percebo que estou adiando mais do que o necessário estopo a atitude na mínima do aprendizado anterior.

Então, com muita alegria, convido todos vocês a fazerem parte de meu novo projeto, que na verdade, é nosso. Trata-se de um ciclo de palestras, nesta primeira etapa do projeto, com conteúdos específicos, úteis e bem trabalhados, que ampliam nossa percepção para Um novo olhar para o mercado e um novo olhar para si mesmo. A primeira palestra acontecerá dia 20 de dezembro de 2016 às 20 horas. Esta palestra será online e gratuita.

Com um olhar mais atento, perceberemos que se trata de um convite a um movimento para ampliarmos este nosso jeito de olhar, e deixar fluir nossa energia para as soluções que estão espera da nossa conexão.

Quando estamos desimpedidos internamente o aumento consistente da nossa curva capital é conseqüência. Sintam-se convidados e sejam todos bem vindos!

Fernanda Nunes Gonçalves

Share Button

15

dezembro

O Barulho de Dentro e o de Fora

Eu não estava com muita pressa. Caminhava na calçada normalmente. Quando a sirene de uma garagem de estacionamento sinalizou que um carro estava tentando sair.
Eu parei.
Ouvi, e parei.

Porém, muitos continuaram andando normalmente. Não ouviram o barulho de fora. Dentro o barulho estava mais alto. Gritos de tarefas, de preocupação, falas incessantes de respostas não dadas. Nossas orações.
E é assim que muitos acidentes acontecem. Por fora e por dentro. Com níveis de machucados e dores bem variadas.

Ás vezes a surdez nos salva de acidentes. Daqueles que podemos evitar. Quando somos convidados a entrar no ringue em discussões extremas, e dizer coisas que cortam fundo.

Ás vezes nos condena, quando nos desconecta da realidade que nos cerca e que, apesar de tudo, povoa nossos pensamentos. Denuncia que, o que mora fora de nossa cabeça também precisa de atenção.

A audição é um sentido realmente interessante. Ás vezes a gente ouve vozes que vem das nossas opiniões ao invés das vozes que vem dos fatos em si.

Aumentamos significativamente o volume de frases ditas no calor do diálogo, e diminuímos o volume daquilo que desacreditamos por ser bom demais para ser verdade.

Nossa distração com as buzinas e sirenes da vida são a prova de que, o que conseguimos ouvir, sinaliza mais uma sobrevivência que mora dentro de nós.

Fernanda Nunes Gonçalves
Autora dos livros Mais Que Palavras e Análise Técnica Muito Além do Divã

Share Button

5

dezembro

O que fica visível naquilo que escondemos

Embora o meu filho ainda seja pequeno, até pouco tempo atrás, quando eu brincava com ele de esconde-esconde, ele sempre deixava seu pezinho amostra. Era só olhar, que ele acabava denunciando pela sua inocência, seu esconderijo. Para ele, estava realmente escondido, quando, na verdade, estava mostrando-se mais do que imaginava.

Mas, mesmo assim, a diversão era garantida.

Pois a vida é mesmo uma dança entre aquilo que escondemos de nós mesmos e dos outros e aquilo que nos permitimos trazer a luz, deixando à mostra que queremos, de certa forma, sermos encontrados.

Encontrados por alguém que esteja nos procurando afetivamente e, muitas vezes, por nós mesmos. Pois, por mais que tenhamos certeza que estamos bem escondidos, bem camuflados ou protegidos em nossos sentimentos, sempre deixamos alguma parte a mostra para que sejamos resgatados, muitas vezes em nossos próprios jogos.

E isso é uma bênção.

Deixar que, por um detalhe, aquilo que mora por trás de uma cortina seja ao mesmo tempo dor e cura.

Ser trader é saber brincar de esconde-esconde. E de esconde-encontra. Muitas vezes a gente esconde aquilo que não queremos ver de nós mesmos nas operações. Esperamos que a gente consiga, talvez inocentemente, passar despercebidos sentimentos que não estão de brincadeira.

Mas é justamente nesta probabilidade de sermos encontrados que aparece a alegria. Naquele risco que corremos de revelar muito de nós mesmos em um trade que achamos que poderíamos enganar a nós mesmos.

Então, desejo que a gente não deixe de brincar de esconde-esconde, no mercado e na vida, mas que aquilo que escondemos fique visível amorosamente à nós mesmos.

Fernanda Nunes Gonçalves

Share Button

27

novembro

O Setup da Ansiedade

Estas palavras são para todos nós, operadores do mercado e da vida. Que, ao percebermos que a ansiedade é um inquilino em nossa morada emocional, nos perguntamos muitas vezes o que fazer com ela? Ou melhor, o que fazer com a gente mesmo diante dela? Como não permitir que sua presença nos distancie da qualidade de vida e de bons resultados nas nossas operações?

E faz-se necessário esclarecer que a reflexão proposta neste texto é uma das maneiras de olhar nos olhos da ansiedade. O assunto está longe de esgotar-se.

Porque ela nasce em diferentes momentos da nossa vida, e também diante do gráfico. Naquele momento em que nos atrapalhamos com entradas nas operações, ou na continuidade das operações e, obviamente, também na saída.  

Sim, a ansiedade pode ser olhada e compreendida no formato de um setup. Emocionalmente oculto, na maioria das vezes, até que a gente decida olhar ela de frente. Com calma. Até que a gente a escute com respeito e sem julgamentos. Até que a gente compreenda que ela também segue uma tendência interna.

Um setup sempre está à serviço de algum objetivo, consciente ou inconsciente.

A ansiedade também.

É preciso respirar com calma para entrar em um bom contato com os sinais que ela emite, para compreendermos quando ela é inofensiva, podendo ser estopada com dignidade e quando ela está alavancada em um prejuízo de autossabotagem.

Pois a maioria dos traders opera este setup emocional. Não sei se é possível não ter ansiedade nenhuma diante das nossas escolhas operacionais. Em algum momento ficamos ansiosos, ou já estamos ansiosos, e potencializamos este estado diante do gráfico.

Alguns acabam sempre tendo prejuízos porque tentam entender a lógica da ansiedade. Tentam apenas controlar. E assim como o mercado não tem lógica a ansiedade também não.  Ela se configura a partir de experiências muito individuais. Por isso o autoconhecimento é tão importante. Porque saber que somos ansiosos é diferente de conectar com esta ansiedade que mora em nós. Nenhuma solução é encontrada quando sabemos o porque da sua existência, mas apenas quando conectamos com a energia presa e que precisa ser liberada e bem canalizada para não ir morar em outro problema.

Poderia teorizar sobre a ansiedade. Mas vou dividir o que percebi na prática, atendendo no consultório. A ansiedade é uma energia presa. Algo que aconteceu com a pessoa interrompeu um fluxo saudável de energia, fazendo com esta, que deveria ir para a ação, ficasse bloqueada dentro da pessoa. Pode ficar visível no corpo, como por exemplo: roer unhas, insônia, taquicardia, pensamento acelerado, tiques, desatenção…

Enfim, ela se mostra em inúmeras marcas diferentes, até que a gente veja e conecte-se com ela para poder ouvir o que a alimenta, o que a mantém.

Então, este pode ser um primeiro passo, ou um olhar diferente daquele que sua provável ansiedade tenha recebido até hoje.  

Ótimos resultados como traders nascem de ótimas conexões internas.  De nós desatados, permitindo que a nossa energia faça o caminho do lucro. Emocional e financeiro. A mente recebe aquilo que faz morada na alma. 

Fernanda Nunes Gonçalves

Share Button

20

novembro

Probleminha ou problemão?

Mããããeeee

Vou rápido até minha filha para saber o motivo de seu baita grito.

Olho para ela e, enquanto convenço meu coração a voltar a bater dentro do peito, percebo que não tem sangue nem nada aterrorizante. Ufa!

O que foi filha?

Tô com um problemão!

Qual? Eu pergunto, já pensando no OMMMMM que vou ter que meditar, pois percebi que havia um exagero considerável no seu problemão.

Mãe, a boneca que ganhei da vovó sumiu. Aquela, sabe?

Sim, eu sabia! Ela era especial. Era “aquela boneca”

Não acho em lugar nenhum!

Eu estava certa! Iria ter que me acalmar para compreender seu grito que me deu um baita susto.

O seu problemão era, na verdade, um probleminha.

Para mim, claro.

Em uma fração de segundos pensei: Será que ela não sabia que aquilo não era de fato um problemão? Que achar a boneca era questão de tempo e ação. Procurando, certamente acharíamos. A menos que ela, a boneca, fizesse parte secretamente do Toy Story, aí….

Bem, mas a semente da reflexão estava lançada.

Não, ela não sabia que aquilo não era um problemão. Para ela era sim. Suas necessidades básicas estavam satisfeitas e o sumiço da boneca era algo importante a ser resolvido. A boneca envolvia afeto. A vovó a tinha dado. Então, era urgente uma força tarefa para achar a boneca.

Foi quando me dei conta que o tamanho que damos aos nossos problemas são diferentes para cada um. ( já tinha caído a ficha antes, mas esta ficha, ás vezes, se perde dentro de mim)

Embora eu tenha problemas mais sérios para resolver, eu também, muitas vezes, preciso prestar atenção ao tamanho real que certos problemas têm. Eu também faço de um probleminha um problemão. Porém, com o viver dos anos também aprendi a transformar um problemão em um probleminha.

Porque a gente ás vezes se perde no tamanho e na importância que damos às coisas. Perdemos um pouco o foco, embalados pela emoção do momento.  Ou embalados pela gravidade, pela resistência em perdoar o que sentimos. E o ego tem grande participação nesta cena.

A minha filha perdeu a boneca e não gostou. Quando eu perco nos trades também não gosto. Alguns prejuízos são mais digeríveis que outros. Em alguns deles, no fundo, eu gostaria de gritar mais alto do que o grito da minha filha. Mas sabe como é…

No momento exato em que o prejuízo ocorre a emoção toma conta. É preciso estar muito alinhado com um equilíbrio interno para não fazer um outro trade, agindo como bombeiro, tentando apagar o incêndio do anterior. É preciso respirar fundo e entrar em contato com o tamanho real da perda. Não a perda que o ego alavancou. Apenas a real.

Pois, assim, nos prendemos mais ao obstáculo do que em levantar a perna para passar por ele. Levantar a alma e o coração é o exercício perfeito para esta corrida de obstáculos, até o fim dos nossos dias.

Esquecemos que, quando decidimos transformar grandes problemas em aprendizados, descobrimos que somos maiores do que pensamos. Ampliamos nosso olhar para o mesmo fato, ampliamos nossa consciência para nossas forças.

E este exercício é um dos pilares do meu trabalho. Reencontrar o olhar que nos fortalece e desata os mais fortes “nós” que interrompem movimentos de cura e de evolução.

Por isso, a gente permitir-se entrar em contato com o tamanho que damos aos nossos problemas, em contrapartida com o tamanho que eles realmente têm, é a nossa permissão para seguirmos evoluindo na vida e nos trades também.

Ninguém gosta de perder dinheiro no mercado. Deixa um gosto amargo. Mas se perdemos apenas dinheiro, este então é um probleminha. Não no sentido de desvalorizar a perda, mas sim pelo fato de ser possível de resolver. É possível melhorar, resolver? Então é um probleminha. O ego ralou o joelho e está fazendo drama. Vai por mim!

Há quem perca o dia, o respeito à família e o tempo de olhar nos olhos dos filhos em nome do seu ego, que ficou despedaçado com o trade…isso sim é um problemão.

É muito ruim perder dinheiro, mas se você estiver bem posicionado nos ativos mais importantes da sua vida: saúde, amor, autoconhecimento e gerenciamento de tempo…você recupera o dinheiro.

Assim como, de fato, recuperamos a boneca da minha filha.

Se está dentro de nós, a gente acha!

Fernanda Nunes Gonçalves

Autora dos livros Mais Que Palavras e Análise Técnica Muito Além do Divã

Share Button