20

March

Perdas no mercado financeiro e no coletivo

Quando operamos o mercado financeiro aprendemos que precisamos lidar bem com as perdas que, com toda a certeza ocorrerão. Aprendemos que perder bem é perder pouco, de preferência o mínimo possível. Sabemos que para recuperar uma perda significativa é bem difícil e nem sempre possível.

Acredito que as nossas dificuldades no mercado são traduções das nossas dificuldades fora dele. Levamos para as operações aquela bomba interna que, ou aprendemos  à desativar ou ela explodirá na nossa mão. No nosso bolso. E sabemos que suas consequências ecoarão no nosso todo. No humor, na família, na autoestima, no saldo….

 

De certa forma, essa mesma estratégia, de cuidarmos com respeito do que é nosso e assim trabalharmos para perder pouco, é uma bela estratégia fora do mercado financeiro também. Mas não utilizamos esta estratégia. Deixamos as perdas crescerem. E muito. Não estopamos nosso prejuízo. Agora ele alcança patamares gigantescos. Na saúde. Na alimentação. Na política. Na segurança pública. Na educação.  No convívio social. E provoca em nós emoções muito parecidas com aquelas que sentimos ao perder muito nas operações.  Ora ficamos perplexos. Ora desconsideramos a força do mercado e nos achamos intocáveis até que caia a ficha. Ora nos desesperamos. Para aqueles que não querem desistir do mercado, de si mesmos e da vida é um belo e necessário aprendizado este de recomeçar. Há quem desista fácil porque não sente sua sua própria força, aquela que não vem do ego, mas sim da alma. Aquela que nos transforma em formigas: pequenas mas extremamente fortes. É aos poucos que vamos construindo o muito. No mercado e na vida.

E depois do tombo o que fazer?

Aprender a ser formiga. Aprender a dar valor a cada operação, a cada lucro, a cada dia bem vivido, a cada atitude educada e a cada gesto de gentileza.

Aprender que somos pequenos antes de sermos grandes, pois se não for assim, corremos o risco de nunca crescer de verdade. E crescer  por dentro é um ato de coragem, um ato de auto-cuidado com o dinheiro e com a vida.

Não vamos fazer fortuna de um dia para o outro, na grande maioria das vezes. Não vamos salvar o mundo com atitudes boas. Perdemos o timing. O mercado não perdoa. Os políticos também não.

Então vamos ser humildes dentro e fora do mercado. Vamos nos cuidar assim mesmo. Vamos cuidar de cada lucro que temos e dar limites para cada perda para que não nos destrua usando nossa própria força. Não vamos autorizar, permitir  a nossa própria destruição. Vamos cuidar do mundo mesmo que não o salvemos, porque no mínimo daremos  bons exemplos e uma chance àqueles que amamos e a nós mesmos.

Que a gente possa lembrar que o amor que permanece é aquele que é incondicional, ou seja, que a gente saiba colocar stop no nosso lado auto- destrutivo e deixe fluir a operação com nosso lado humano em tendência de alta.

Fernanda Nunes Gonçalves

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27

February

Sobre o filme Truque de Mestre

Aparentemente o filme Truque de Mestre mostra o caminho que quatro ilusionistas estão percorrendo em busca do pote de ouro no fim do arco-íris, enquanto encantam o público com suas mágicas. Mas ao olharmos melhor, o filme nos convida à refletirmos como estamos percebendo as coisas, e à nós mesmos. Será que estamos enxergando direito aquilo que está diante de nossos olhos? Será que estamos percebendo onde, de fato, a vida está acontecendo? Ou estamos com olhar fixo para determinada cor, para determinada situação e, assim, esquecendo que a vida é composta por inúmeras cores e combinações?

Um dos personagens, durante o filme, diz: Olhe atentamente, porque quanto mais perto você pensa que está, menos você verá.  Nossa! Que sacada! A mágica brinca com nossos sentidos. Ela acontece bem diante de nossos olhos…abertos! E nos mostra que, nem sempre, enxergamos aquilo que está bem perto de nós.

Na vida acontece um fenômeno muito parecido!

E é, muitas vezes, nessa certeza de que estamos de olhos bem abertos e atentos, que perdemos o que, de fato, faz sentido viver.

Olhamos, mas será que estamos vendo? Será que estamos percebendo onde, de fato, a mágica ou a magia estão disponíveis?

Buscamos longe as respostas que moram dentro, no nosso corpo, naquilo que sentimos, contanto que a gente escute. Buscamos segredos de mágicas nas mangas alheias, sendo que todos os segredos estão disponíveis na maneira como percebemos as coisas e a nós mesmos. Se ampliarmos nossa percepção, provavelmente descobriremos segredos das mágicas, de nós mesmos e, também, do mercado financeiro.

Pois a ironia é que a mágica é a mesma para todos aqueles que estão olhando. A dor de uma perda vai ser percebida de acordo com o olhar interno de cada um. Para uns será um tombo, para outros um castigo e para outros uma oportunidade de aprendizado.  O que estamos vendo e sentindo também é dor. Mas ao ampliarmos nosso olhar, existe algo mais. Sei por experiência própria. Existe evolução, superação, compaixão. Nem sempre vemos esta parte da mágica. Mas ela está lá. Acessível para quem aceitar percebê-la.

É preciso ficar atento para onde estamos olhando e dando nossa atenção quando a mágica ocorre, quando a vida acontece. Será que estamos olhando para aquilo que verdadeiramente importa, ou estamos apenas curiosos e deslumbrados com as aparências?

Como o personagem diz no filme: “Quando o mágico acena com a mão e diz Aqui é onde a magia está acontecendo é porque o verdadeiro truque está acontecendo em outro lugar”.

Que a gente se permita ampliar nosso olhar e perceber onde, realmente, a mágica está acontecendo, além daquilo que estamos vendo e vivendo. Existem as cenas, as situações na nossa vida e existe algo maior, do qual fazemos parte mas, nem sempre, nos permitimos perceber.

Acredito que a mágica esteja lá.

Não estamos sendo enganados ou iludidos, apenas estamos tendo a oportunidade de perceber melhor o que realmente importa.

Fernanda Nunes Gonçalves

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20

February

Operando rompimentos dentro e fora do gráfico – parte I

Operar rompimentos é uma arte. Há quem olhe apenas para os números e, talvez assim, fique difícil de entender minha opinião. Um mais um são dois e ponto final. Para mim, um mais um ás vezes são três.  Ou quatro. E assim nasce uma família.

Mas como sempre falo, tudo depende de como olhamos para o mercado e para nós mesmos.

Porém, pensando somente nos números, muitas vezes buscamos uma exatidão que dê colo para a nossa necessidade de controlar nossos resultados no mercado. Aguardamos o centavo perfeito que dê asas para nossa operação. Porém, mesmo com lindas asas, sinais confirmados diante de nossos olhos e um conhecimento já crescidinho, mesmo assim o trade não voa.  Rompimento falso?

Tenho para mim que não. Rompimento legítimo.

Rompeu sem a menor sombra de dúvida. Mas não foi necessariamente a zona de preço. O que muitas vezes não percebemos é que uma  simples operação pode romper muito dentro de nós. Rompe com nossa paciência, com nossa seqüência de trades com lucros, ou prejuízos, com nossa autoconfiança, com nossa insegurança, com nossas ilusões de que  ter somente conhecimentos operacionais nos levarão aos resultados sonhados. Ou em franco delírio.

É uma bela estratégia aprendermos mais sobre os nossos rompimentos internos. Com olhar atento àqueles que não geram lucros. Àquilo que poderia ter fluido, mas não teve força suficiente. Àqueles números, preços, afetos, mágoas, alegrias, dores, perdão, habilidades, stops afetivos que correm o risco de ficar tempo demais aguardando uma certa força que vem da alma para que possam  ir em frente. No mercado,  um bom rompimento tem a intenção de continuidade, seguir caminho. É uma oportunidade. Os lucros que valem a pena moram nos movimentos que escolhemos fazer ou acompanhar.

Que na vida a gente aproveite este ensinamento.

Pois é preciso identificar aquilo que precisa de um empurrão para acontecer. Dentro e fora do mercado.

Fernanda Nunes Gonçalves

 

 

 

 

 

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12

February

Bagunça útil

Durante muito tempo fiquei acotovelando minha bagunça com minhas coisas. Acotovelei, tentei controlar, empilhei, larguei de vez, desprezei… Como se fosse uma adolescente em fase de ataque.

Claro, a adolescente estava em mim. Uma bonita queda de braço. Até que cansada, resolvi apenas olhá-la.

Sem expectativa.

O que falta que ainda não fiz?

Olhei bem para ela. Olhei bem para mim. Respirei fundo. Não se pode ter uma boa conexão com respiração curta. A energia não circula e tudo trava.

Percebi que faltava desistir. Não de me organizar, mas desistir de tentar excluí-la, como se, ao fazer isso  eu pertencesse a outro grupo: a dos organizados. Pois tenho em mim um pouco de tudo: de bagunça, de ordem, de coragem e de medo. O grupo do qual realmente pertenço é dos humanos em constante evolução.

Mas, de fato, não era isso que estava incomodando. A desorganização tem uma função muito particular para cada um.

Para mim era uma mensagem: eu tinha que me procurar!

Eu não estava fácil e nem disponível para mim mesma. Protegia minhas dores, minhas lembranças e também minhas alegrias. Não tocava nelas com facilidade. Precisava me dar um tempo para achá-las e, com calma, ir tocando na história e nos sentimentos acionados com o que merecia ficar e o que precisava ir.

Uma desorganização nunca permanece à toa. Ela nos fala. Ouviremos quando for suportável.

Também é uma questão de hábitos. A gente se acostuma a não se conectar com o agora. Então empilhamos para ver depois, resolver depois e colocar fora depois. Arrogantemente pensamos que somos eternos e que teremos todo o tempo do mundo para reviver o que guardamos.

A organização vem de dentro. Claro que tem bagunça que faz parte da decoração. Mas a bagunça que é amistosa, que revela uma vida com movimento e não uma vida evitada é mais que isso.

Então abri, pela primeira vez, um espaço para ela. Afinal, ela merecia. Acompanhava-me há tanto tempo.

E exatamente assim, do jeito que foi, no fundo, me foi útil. Caso contrário, eu já teria resolvido.

Deixei que ela fosse do jeito dela, sem intenções, sem críticas e sem tentar excluí-la.

Escutei seus segredos. Os meus segredos escondidos embaixo das coisas fora de lugar. E, no silêncio, senti coisas que me organizaram por dentro.

Não adianta brigar com coisas das quais precisamos. Elas tem um tempo para existir.

Há lembranças que ficarão para sempre em nossa alma. 

Quando não for assim, não será suficiente guardá-las em uma caixa.

Fernanda Nunes Gonçalves

 

 

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8

January

O quebra-cabeças

Quando eu era criança, uma das brincadeiras que eu curtia era montar quebra cabeças. Porém sempre que eu espalhava as peças em cima da mesa, ou mesmo no chão para começar a montar eu achava que tinha peça faltando. Eu olhava para as peças e tinha a impressão que talvez nem todas as peças que eu precisaria para a figura ficar completa estariam ali.

Mas eu começava assim mesmo.

Ainda bem!

Ainda bem que eu me permitia começar a brincadeira, experimentar e ver se eu estava certa ou errada em relação se o brinquedo estava completo ou não. E sinceramente, não me lembro de alguma vez o jogo estar incompleto de verdade como eu sempre suspeitava.

Pois hoje em dia, dependendo do desafio que eu preciso enfrentar na vida, seja profissional, financeiro ou até mesmo de saúde, eu lembro  deste jogo. E esta lembrança me ajuda a enxergar melhor as peças internas que estão disponíveis e bem ao meu alcance. Porque muitas vezes quando temos um problema, um desafio no nosso caminho podemos ter a sensação que faltam “peças” dentro de nós para resolver, completar o desafio e seguir em frente. Peças que ora são forças, qualidades, jogo de cintura, maturidade, fé, energia, amor próprio, fôlego, humildade, coragem, amor.

É importante estarmos atentos se colocamos uma peça de dúvida em um jogo que está a nossa espera: Será que vou conseguir resolver? Será que vou conseguir completar o quebra cabeça? Será que eu tenho em mim tudo o que é necessário para solucionar esta questão ou até mesmo para alcançar meus objetivos?

Sempre lembro que, também diante dos problemas, a sensação de que está faltando algo, dentro  de nós que nos ajude a resolvê-lo é só uma sensação, na maioria das vezes. Todas as peças de que precisamos estão ali bem na nossa frente. Bem dentro de nós à espera da nossa ousadia, ora da nossa fé, ora da nossa humildade e do nosso atrevimento para que a gente se surpreenda com tudo o que está disponível para nós, contanto que a gente comece o jogo.

Fernanda Nunes Gonçalves

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1

January

Você aceita trocar…

Na verdade eu não sei se o programa que vou fazer referência neste texto por acaso não está sendo reprisado por aí, pois não assisto mais tv aberta. Mas há muito tempo atrás Silvio Santos comandava, em um de seus programas, uma atividade em que uma pessoa entrava em uma cabine, colocava fones de ouvido para que não ouvisse o que estava sendo perguntado a ela e quando acendesse uma luz ela deveria dizer sim ou não.

Apenas isso: sim ou não.

Tratava-se de contar com a sorte. Enquanto Silvio Santos do lado de fora perguntava à pessoa: você aceita trocar um televisão 42 polegadas por uma meia furada? a criatura dentro da cabine aguardava acender a luz e tinha que responder alguma coisa. Podia gritar sim ou não.

Mas tinha que se posicionar.

E a brincadeira continuava, os objetos iam sendo alternados de acordo com a resposta do participante até o final quando este sairia, feliz ou não, com as conseqüências de suas respostas. A questão é, que quando a luz acendia, a sorte estava lançada e no final da brincadeira a pessoa podia sair da cabine com um baita presente ou com a certeza que nem sempre a sorte lhe sorriria.

Nesta virada de ano lembrei de Silvio Santos. E pensei em todos os nossos sins e nãos. Àqueles que dizemos contando com a sorte e àqueles que dizemos mais coerentes com nossos desejos. 

Pensei em todas ás vezes que disse sim querendo dizer não e também nas vezes que disse não querendo dizer sim. Além das vezes que disse qualquer coisa apenas porque a luz da urgência da realidade tinha acendido e eu precisava me posicionar. E sinto que quando o ano novo se apresenta temos uma oportunidade de prestar mais atenção aos nossos desejos, aqueles reais, nítidos, encorpados, para que a gente possa dizer um sim que é realmente um sim, aquele que vem da alma, muito mais do que da mente. E dizer não quando é não, com a autorização do nosso amor próprio. Além de tudo, este exercício é extremamente útil na hora de educarmos nossos filhos.

Então, desejo que neste ano, e também nos outros, mas (re)comecemos por este, a gente preste mais atenção às respostas que damos a cada movimento que a vida nos convida a participar.

Que a gente saia do piloto automático e se aproprie dos sins e não que damos à nós mesmos através de cada dificuldade e cada superação.

Que quando for um sim ele seja coerente com o que há de melhor em nós, que seja para nós  e quando for um não que seja apenas um sim para outras escolhas e não uma maneira de ferir o outro ou à nós mesmos.

Que a gente preste atenção nas trocas afetivas, financeiras e de tempo que estamos fazendo no nosso dia-a-dia, com a possível desculpa que estamos com fones de ouvido e não estamos ouvindo, que não estamos com tempo o suficiente para prestar atenção àquilo que nos convida a nos posicionar. No mercado financeiro também.

Que a gente não diga sim para 2017 sabendo lá no fundo que é um não, que é um sim apenas da mente.

Que a gente diga sim para 2017 com alma, intenção, com sabor, com humildade, com ação, energia, com totalidade, com atrevimento, com presença assim como merecemos dizer para nós mesmos, para o mercado e para a vida.  Pois quando “a brincadeira” acabar sairemos com as conseqüências de nossas respostas.

Fernanda Nunes Gonçalves

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25

December

Sobre o filme O Expresso Polar e aquilo que precisamos ver para crer

Nesta época do ano o Natal toma conta dos nossos pensamentos ou boa parte deles. Pensamos na ceia, nos presentes, na reunião de muitos e na falta de outros. Ou em como fugir de tudo isso e deixar florescer o espírito natalino no mais profundo do nosso ser.

Neste clima, alguns filmes também chamam nossa atenção. Sou fã do ator Tom Hanks. Então, um dos filmes que ele fez com tema natalino, O Expresso Polar, não passou por mim despercebido. Mesmo sendo um filme de 2004, ainda é uma ótima pedida para assistir também com as crianças.

O filme oferece uma ótima reflexão sobre as coisas que deixamos de acreditar, através de um garoto que não acredita mais em Papai Noel. Muitas vezes até gostaríamos de manter a nossa capacidade de acreditar naquilo que nossos olhos não conseguem ver, mas damos um xeque mate na vida e não aliviamos. Primeiro queremos ver o milagre e depois pensaremos se este merece nosso crédito ou não. É neste julgamento que vamos perdendo um dos maiores milagres da vida: aquilo que acontece independente do nosso ego aprovar ou não, pois não existem para serem filtrados pela razão e sim pelo coração. Acontecem em um campo de amor, fé e conexão.

Assim como o menino do filme não acreditava em Papai Noel e, por isso, não ouvia o som dos guizos, assim acontece com a gente.

É preciso humildade diante também dos mistérios da vida.

É preciso conexão.

É preciso que, primeiro, a gente ofereça um espaço fértil para que os milagres floresçam.

Somos aprendizes, estamos aqui para aprender e evoluir, não estamos em posição de colocar regras em um mundo onde estamos, de um jeito ou de outro, destruindo.

Precisamos dar uma chance a nós mesmos. Permitir que o nosso estado de espírito sintonize-se com sentimentos mais elevados, independentemente das situações difíceis e desafiadoras que possamos viver.

Precisamos nos colocar em ordem. Primeiro plantamos e, depois, colhemos. Primeiro nos conectamos, depois presenciamos o milagre.

Que a gente solte a rigidez e dê espaço para a flexibilidade. Assim como menino do filme fez. Apesar de não acreditar e não ouvir o guizo, ele começou a viagem para o Polo Norte. Meio desconfiado, mas foi.

Que a gente se permita começar aquela viagem que vai nos levar de volta ao melhor que podemos ser. Em nós mesmos e também no mercado financeiro. O melhor setup é aquele que a gente opera estopando o que nos mantém desacreditados.

Que a nossa fé não seja infantil. Que não nos faça rezar e apenas esperar. Mas que a gente entre no trem da vida, cheios de fé, dispostos a abrir o coração e permitir que ele nos mostre se milagres existem ou não.

Fernanda Nunes Gonçalves

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18

December

ONDE INVESTIR EM 2017?

Quando chega o final do ano a Revista Exame trás, em uma de suas edições, uma reportagem sobre onde investir no ano seguinte. Pelo menos vem sendo assim há alguns anos. Nesta reportagem ela oferece inúmeras informações importantes sobre os tipos de investimentos para que a gente pense a respeito e se organize com nossos objetivos e sonhos.

Se alguém me perguntar por que eu adoro a revista exame, a resposta em um primeiro momento é óbvia: eu gosto muito do conteúdo e do jeito que ele é colocado.

Simples assim.

A questão é que nem tudo que parece tão óbvio é dono exclusivo de nossas emoções. Se eu olhar com mais atenção para mim, e para esta revista, vou perceber que, além de gostar de seu conteúdo, eu gosto do que ela me faz sentir. Quando meu pai era vivo, nós conversávamos longamente sobre algumas reportagens. Era algo em comum, gostávamos de estar juntos, da revista e de conversar em torno dos conteúdos oferecidos. A sensação boa continua e, assim, sigo lendo a revista com um olhar que também inclui saudade e boas lembranças.

É sobre este tipo de investimento, que reside nas emoções, na alma, na nossa essência, e que é tão necessário, que me refiro neste texto. Com olhar mais demorado sobre aquilo que mora em nós e onde parece existir somente o óbvio. Se tem uma coisa que eu aprendi depois dos meus desafios do ano passado, foi não adiar meus sonhos.  E quando percebo que estou adiando mais do que o necessário estopo a atitude na mínima do aprendizado anterior.

Então, com muita alegria, convido todos vocês a fazerem parte de meu novo projeto, que na verdade, é nosso. Trata-se de um ciclo de palestras, nesta primeira etapa do projeto, com conteúdos específicos, úteis e bem trabalhados, que ampliam nossa percepção para Um novo olhar para o mercado e um novo olhar para si mesmo. A primeira palestra acontecerá dia 20 de dezembro de 2016 às 20 horas. Esta palestra será online e gratuita.

Com um olhar mais atento, perceberemos que se trata de um convite a um movimento para ampliarmos este nosso jeito de olhar, e deixar fluir nossa energia para as soluções que estão espera da nossa conexão.

Quando estamos desimpedidos internamente o aumento consistente da nossa curva capital é conseqüência. Sintam-se convidados e sejam todos bem vindos!

Fernanda Nunes Gonçalves

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15

December

O Barulho de Dentro e o de Fora

Eu não estava com muita pressa. Caminhava na calçada normalmente. Quando a sirene de uma garagem de estacionamento sinalizou que um carro estava tentando sair.
Eu parei.
Ouvi, e parei.

Porém, muitos continuaram andando normalmente. Não ouviram o barulho de fora. Dentro o barulho estava mais alto. Gritos de tarefas, de preocupação, falas incessantes de respostas não dadas. Nossas orações.
E é assim que muitos acidentes acontecem. Por fora e por dentro. Com níveis de machucados e dores bem variadas.

Ás vezes a surdez nos salva de acidentes. Daqueles que podemos evitar. Quando somos convidados a entrar no ringue em discussões extremas, e dizer coisas que cortam fundo.

Ás vezes nos condena, quando nos desconecta da realidade que nos cerca e que, apesar de tudo, povoa nossos pensamentos. Denuncia que, o que mora fora de nossa cabeça também precisa de atenção.

A audição é um sentido realmente interessante. Ás vezes a gente ouve vozes que vem das nossas opiniões ao invés das vozes que vem dos fatos em si.

Aumentamos significativamente o volume de frases ditas no calor do diálogo, e diminuímos o volume daquilo que desacreditamos por ser bom demais para ser verdade.

Nossa distração com as buzinas e sirenes da vida são a prova de que, o que conseguimos ouvir, sinaliza mais uma sobrevivência que mora dentro de nós.

Fernanda Nunes Gonçalves
Autora dos livros Mais Que Palavras e Análise Técnica Muito Além do Divã

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5

December

O que fica visível naquilo que escondemos

Embora o meu filho ainda seja pequeno, até pouco tempo atrás, quando eu brincava com ele de esconde-esconde, ele sempre deixava seu pezinho amostra. Era só olhar, que ele acabava denunciando pela sua inocência, seu esconderijo. Para ele, estava realmente escondido, quando, na verdade, estava mostrando-se mais do que imaginava.

Mas, mesmo assim, a diversão era garantida.

Pois a vida é mesmo uma dança entre aquilo que escondemos de nós mesmos e dos outros e aquilo que nos permitimos trazer a luz, deixando à mostra que queremos, de certa forma, sermos encontrados.

Encontrados por alguém que esteja nos procurando afetivamente e, muitas vezes, por nós mesmos. Pois, por mais que tenhamos certeza que estamos bem escondidos, bem camuflados ou protegidos em nossos sentimentos, sempre deixamos alguma parte a mostra para que sejamos resgatados, muitas vezes em nossos próprios jogos.

E isso é uma bênção.

Deixar que, por um detalhe, aquilo que mora por trás de uma cortina seja ao mesmo tempo dor e cura.

Ser trader é saber brincar de esconde-esconde. E de esconde-encontra. Muitas vezes a gente esconde aquilo que não queremos ver de nós mesmos nas operações. Esperamos que a gente consiga, talvez inocentemente, passar despercebidos sentimentos que não estão de brincadeira.

Mas é justamente nesta probabilidade de sermos encontrados que aparece a alegria. Naquele risco que corremos de revelar muito de nós mesmos em um trade que achamos que poderíamos enganar a nós mesmos.

Então, desejo que a gente não deixe de brincar de esconde-esconde, no mercado e na vida, mas que aquilo que escondemos fique visível amorosamente à nós mesmos.

Fernanda Nunes Gonçalves

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