A arte da ilusão

Iludir-se é uma arte. É deixar algo nosso naquilo que muitas vezes não é para nós. Uma opinião. Um desabafo. Um desaforo. Uma promessa.

Se uma mesma imagem for mostrada para um grupo de pessoas, com certeza as pessoas verão coisas diferentes. Umas acrescentarão e outras eliminarão detalhes e percepções.

A ilusão confunde nossos sentidos e dá um nó na nossa percepção. A gente se ilude com as certezas, flerta com a rigidez e desviamos, muitas vezes, de nós mesmos.

Deixo claro que não sou contra iludir-se.

Não mesmo. Ao contrário, acho que uma dose de ilusão faz a gente viver mais intensamente algumas coisas que, em determinados momentos, são necessárias e até vitais eu diria. Claro, quando a questão for do bem.

Acontece que se a gente não tem uma amizade honesta com a gente mesmo e não sabemos como funcionamos com ou sem ilusões, corremos o risco de vivermos iludidos. Vamos agindo, muitas vezes, como se estivéssemos extremamente lúcidos. Pelo menos a gente jura que sim.

E essa diferenciação é fundamental. Compreender  a realidade e estar em contato com ela sem sermos engolidos pela dureza de uma vida sem doses de criatividade e fatias de ilusão. Compreender quando a ilusão diante dos fatos e sentimentos despertados no dia-a-dia são temperos ou quando são o prato principal.

Marisa Monte em sua música Ilusão oferece-nos uma reflexão: porque não me deixei vivê-la feliz? Porque não nos permitirmos uma nuance desta cor necessária na nossa aquarela mundana, como por exemplo: a justiça na política será feita com todos!  Neste momento….quanta ilusão!

O detalhe é o que acontece com a gente quando nos embebedamos de ilusões, mesmo sem querer. E, assim, perdemos o foco.

Na ânsia de viver um grande amor ou uma oportunidade profissional, independência financeira ouvimos sentenças construídas em nossa mente. Não é raro a gente ouvir o que não foi dito, cobrar o que não foi prometido, esperar o que não foi combinado ou ver sinais não confirmados. Nos gráficos também. 

Então, que a gente permita que a dança que a vida nos convida a dançar tenha uma variedade de melodias, passos, tropeços e ilusões.

E que a gente esteja lúcido para lidar com a  ilusão de que a felicidade tem endereço fixo e fica no bairro da lucidez, número das certezas e em tempo integral!

Grande ilusão!

Fernanda Nunes Gonçalves

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Fernanda

Psicóloga Humanista, Escritora e Trader

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