A rotatividade está alta. Por vários motivos, muito particulares, as pessoas trocam seus empregos em busca de algo melhor. Seja um salário, um ambiente, ou ao buscar seus sonhos. 

Ser demitido ou pedir demissão, cutuca lembranças e sentimentos nem sempre agradáveis. Algumas pessoas, assim, como em outras coisas na sua vida, nem sempre conseguem sair inteiras daquela experiência.

Saem de forma bagunçada, incompleta, doída e até mesmo vingativa. Poucas saem deixando as portas abertas atrás de si, podendo voltar de forma digna. Ou pelo menos sem precisar atravessar a rua quando encontra um chefe ou colega. Muitos na verdade não deixam emocionalmente aquele emprego por pior tenha sido. Aliás, parece que quanto pior a experiência, mais tempo na memória e no corpo ele fica. Ficam meses sintonizados naquela energia. Ficam revivendo as injustiças, as dificuldades, os sapos que tiveram que engolir. Ás vezes passeiam pelas lembranças boas, mas rapidinho. Na verdade ainda não saíram. Ainda não colocaram um ponto final. Existe um prejuízo emocional e físico quando isso acontece. Essas pessoas levam o emprego representado através de depressão, gastrite, úlcera, raiva…

E, assim, perdem a chance de aproveitar aquelas experiências, mesmo que dolorosas, e tirar algo bom delas, nem que seja seu fim e, assim, seguir em frente. Afinal, é esse o sentido da vida: ir para frente!
Há quem colecione moedas e há quem colecione situações mal acabadas. Há quem tenha uma lista de pessoas na qual precise atravessar a rua se encontrá-las por aí. Ex chefes, ex namorados, ex colegas, ex vizinhos…
Se existisse um equipamento (atenção engenheiros!) que pudesse medir quanta energia colocamos fora em situações inacabadas, acredito que essa seria uma das mais altas.

Por outro lado, grandes amizades ganham lugar no nosso coração e estes amigos viram nossos irmãos. Também fazemos amizades que nos alimentam para sempre, mesmo que fisicamente estejamos longe da pessoa. E quando o destino nos oferece um reencontro, é possível lembrar “daqueles tempos na empresa”. Também além de amigos irmãos, existem chefes que nos entendem e nos ajudam nos momentos em que mais precisamos. Ás vezes em uma perda familiar ou situações muito duras, quem menos esperamos oferece sua mão.

Saber terminar situações e relações de maneira saudável é dizer sim para o futuro que se inicia agora. Terminar namoro, casamento, vínculo empregatício, profissão, tudo merece e precisa de despedidas que honrem o que vivemos.

Nós merecemos, sair de cada experiência mais leves.

A experiência vai conosco, mas o peso nós deixamos para trás.

Assim, como podemos, deixar o ambiente em que trabalhamos, limpo, organizado em objetos, documentos e informações sobre tarefas e projetos que estavam em nossas mãos, para que a próxima pessoa possa continuar de onde paramos, com a nossa benção. Ela também seguirá mais leve.

Sempre que saímos de um lugar, relação ou fase, deixamos um pouco de nós e levamos um pouco ou muito do que vivemos.

Que saibamos encerrar o que for preciso com gratidão, para poder recomeçar leves e com ainda mais amor!

Abraço

Fernanda Nunes Gonçalves

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