Quando operamos o mercado financeiro temos que lidar com oscilações nos preços. Uma ação pode ter bons fundamentos, estar em tendência de alta e ainda assim fazer uma correção. Outra ação pode ser um mico, estar em tendência de baixa e ainda assim ter uma oscilação capaz de fazer alguns lucrarem.

Percebi que com a vida acontece algo parecido.

Por mais que nossa vida esteja trilhando o caminho do bem com bons fundamentos, ainda assim coisas bem difíceis e sofridas podem acontecer.   A pior coisa que podemos fazer tanto no mercado quanto na vida é estacionarmos no porquê que tais correções acontecem.  Freud que me desculpe, mas ás vezes o porque só nos distrai do essencial.  

Prefiro mirar no o que fazer com aquilo que nos acontece e para que vou fazer essa experiência servir?

Esse, talvez, seja um dos nossos desafios. Conseguir olhar para aquilo que nos direciona para uma solução e não para justificar os tombos, as perdas financeiras e os sofrimentos mundanos.

Quando as coisas estão fluindo bem na nossa vida, ás vezes relaxamos e perdemos o foco. Nos acostumamos com uma autonomia e com nossa independência, como se a vida tivesse obrigação de não nos frustrar. Até que, em uma das correções da vida compreendemos que tudo está em movimento. Que se a gente hoje está sorrindo por qualquer bom motivo, isso é uma benção e deve ser assimilada pois não sabemos quais movimentos vamos realizar nos próximos minutos.

Não estou dizendo para não relaxarmos e aproveitar os bons ventos. Ao contrário. Que a gente aproveite, porém sem esquecer que tudo na vida, absolutamente tudo é um presente por prazo indeterminado. Pode durar até o fim da vida e lá no final acontecer uma correção. Ou não. Pode acontecer várias pequenas, grandes e dolorosas correções ao longo da tendência.

Vamos mudar com o tempo em velocidades muito individuais. Assim como preços oscilam em um minuto. Muitas coisas que são fáceis de realizar agora, talvez fiquem mais difíceis amanhã. Talvez, quando chegarmos onde queremos nem todos aqueles que nos ajudaram estejam aqui. Talvez, a vida tenha outros planos para aquelas brincadeiras que deixamos para fazer com nossos filhos somente nas férias. Talvez o banho gostoso tenha que ser dado por alguém. Talvez aquela visita para os pais programada para o feriadão não os encontre mais tão bem.

O que isso quer dizer? Estou caminhando na compreensão de que talvez um dos nossos aprendizados seja sobre nossa postura diante das nossas certezas. Fazer planos para a vida é ótimo e saudável, mas a nossa postura diante destes planos é o que diferencia se recebemos a vida como presente ou como se ela nos devesse algo. E a vida não nos deve absolutamente nada. Marcamos compromissos como se fossemos donos do tempo. Que ilusão! Estamos à mercê  de um tempo que nos coloca à serviço de algo maior. Somos inquilinos da vida com oportunidade de usufruir tudo o que está disponível . O aluguel é honrar  e viver com todo o bem possível.

Não podemos evitar as correções nem no mercado nem na vida, mas podemos recebê-las de amor cheio, de quem viveu intensamente tudo o que foi oferecido.

O amor é para agora. É lindo demais para caber em uma agenda ou em um horário marcado e medido. O amanhã é uma oportunidade e não uma certeza.

Abraço

Fernanda

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