Sobre o filme “Até o último homem” e tudo aquilo que nos separa

O filme Até o último homem, dirigido por Mel Gibson, conta a história real de Desmond Doos, o médico do exército americano e um Opositor de consciência que nega-se a pegar em armas e tirar vidas e tudo que sofreu para poder ser ele mesmo e defender os valores em que acreditava. Mesmo assim participa da segunda guerra mundial e salva em torno de 75 homens.
O que torna este filme interessantíssimo é o fato desta história ter sido verdadeira. Desmond Doss existiu mesmo, ele faleceu em 2006 aos 87 anos, e foi o primeiro Opositor de consciência a receber Medalha de Honra.
O atrativo do filme brilha também neste ponto: como alguém vai para uma guerra sendo Opositor de consciência? Como alguém vai para uma guerra negando-se terminantemente a pegar em uma arma? Negando-se a matar pessoas? Mesmo sendo médico, ele poderia por questões de sobrevivência precisar em algum momento usar armas.
E esta questão transforma-se numa ponte que faz a gente transitar entre o filme a e a nossa realidade atual. É a provocação reflexiva representada com tanta verdade por Andrew Garfield ( Desmond Doss ). Aparentemente a questão é simples: não quer pegar em armas? Matar pessoas? Ok, então não vá para a guerra.
Mas, ás vezes, a guerra vem até nós.
E quando a guerra vem até nós, é preciso e extremamente desafiador nos posicionarmos. Como vamos estar nela? Vamos contribuir tirando vidas, sonhos, afeto? ou salvando vidas, auxiliando-as nas suas guerras internas?
A realidade não é uma guerra, mas existe um coletivo a tratando assim. E isso faz com que estejamos todos nela. Alguns com armas, outros com morfina.
Mas não estamos separados. Estamos distantes uns dos outros. Dissociados. Mas não separados. Sempre há um ponto de confluência, onde a realidade nos faz enxergar que de um jeito ou de outro, precisamos uns dos outros.
Desmond Doss nos permite refletir através de sua vida, sobre uma das questões sociais mais atuais: como seguir com a vida sendo o nosso melhor, vivendo os nossos valores morais em um ambiente hostil?
se o ambiente for hostil, precisamos ser também? Se a realidade for doente, precisamos agir de acordo com ela e com atitudes doentias e abrir mão dos nossos valores, adoecendo à nós mesmos? Se todo mundo faz tal coisa precisamos fazer também? É o único caminho: pertencer ao efeito manada? Ou será que a gente pode abrir um pouco mais os olhos e aprender com Desmond e, tantos outros, a estar no inferno sem pertencer a ele?
É fácil? Nem um pouco. É preciso ter uma dignidade inviolável, capaz de servir à vida apesar de todas as coisas.
Vamos mudar o mundo? Provavelmente não. Mas é o ego que quer mudar o mundo…objetivos grandiosos…A gente ajuda a salvar só mais um ( frase de Desmond para Deus: Senhor: me ajude a salvar só mais um ).
E esse um, ás vezes, somos nós mesmos, aprendendo a não carregar o inferno na alma e manter a mente lúcida para aquilo que nos separa: os diferentes níveis de consciência. Em relação à nós mesmos nesta realidade.
Alguns estão tentando excluir os Desmonds espalhados pelo mundo e outros tentando ajudar cada vez mais.
Frase de Desmond: o que fazer quando tudo o que você valoriza está sob ataque?
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Fernanda

Psicóloga Humanista, Escritora e Trader

2 thoughts on “Sobre o filme “Até o último homem” e tudo aquilo que nos separa

  1. Ola Fer, travamos uma gerra diária dentro de nós e com tudo que está ao nosso redor. Como você disse . “precisamos estar nela ?” .
    Creio que não. Em minha opinião, a evolução de um ser se dá exatamente não entrar nessa guerra de egos, entre o SER e TER, se educado, gentil, caridoso, se preocupar com o próximo, fazer uma caridade, é às vezes temos que ser malandro pois são malandros com a gente, porém com a sabedoria de um ser iluminado logo voltamos aonde estávamos.
    Eu não quero entrar nesta guerra, a chance de vencer será pequena….
    Prefiro fazer um bom papel como um ser simples e que sorri para a vida !

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